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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sobre a existência

Eu existo, ou quase existo.
Você existe, existe demais.
Existimos em tempos diferentes e em tempos iguais, você desde o início existiu mais do que eu e existe todos os dias, eu existo uma só vez no mês e, em certos meses, até mesmo me esqueço de existir, você não se esquece de existir nem nos minutos em que ninguém está prestando atenção na sua existência, faz questão de ocupar as horas por completo, é difícil encontrar um momento em que você não tenha existido - e você não existiu em vários momentos.
Há quantos anos você existe de verdade?
Se você tivesse começado a existir há alguns anos atrás eu teria escrito o seu nome vinte e cinco vezes em uma folha em branco e colado na porta do armário, naquele tempo eu iria me poupar de refletir sobre a sua ausência, ficaria satisfeita em saber o seu endereço, sobrenome e apelido, ficaria contente em existir paralelamente.
Você existe há mais tempo do que eu, isso é verdade, mas não existiu na hora certa, você resolveu existir de um jeito errado, resolveu existir por cima de mim, resolveu cobrir minha existência com a sua e existir em um espaço lotado aonde eu não posso existir também. Eu não posso deixar de existir além do que eu já não existo para abrir espaço para você existir ainda mais, os arredores da minha existência estão vazios, você poderia ter sempre existido por aqui.