quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Quando falta sobre o que falar mal, você sempre tem sua família

Até os oito anos de idade eu tinha sido aquela sua típica filha única de pais divorciados. Vivia perdida em um mundo onde meus pais se comunicavam por bilhetes para falar mal de mim, achando que eu não sabia ler (e, achando que eu não sabia ler, achavam que eu entregava os tais bilhetes de um para o outro); num mundo em que meu pai era recebido pela minha mãe com cadeiradas nas costas e eu, tão pequena e mimada, tomava água com açúcar pra acalmar meus nervos enquanto um planejava como colocaria o outro na cadeia da forma mais cruel.
Eu tinha duas casas, duas festas de aniversário, dois repertórios diferentes de canções de ninar, um milhão de dramas e ainda assim não chegava nem perto de ser uma criança feliz pela metade, eu era feliz por inteiro com toda aquela atenção, com todos os holofotes sobre mim, com todos aqueles presentes lindos, e eu nem atriz principal era. Meus pais eram os protagonistas da história, eu era vista como prêmio. Como uma criança poderia não ser feliz sendo o prêmio de uma relação, mesmo essa não tendo dado lá muito certo? Bom, eu só não era lá muito feliz quando meu pai me jogava por cima do ombro e me levava pra sua casa de quinze em quinze dias no seu carro que insistia em sempre estar tocando aquela música "viveeer e não ter a vergonha se ser feliz..." que até aos meus ouvidos infantis me parecia extremamente paradoxal e, desde então, sempre tenho vontade de chorar ao ouvir essa música. Mas minha memória sempre foi curta, depois do primeiro ovomaltino que meu pai me trazia eu já nem lembrava a fisionomia da minha mãe (o mesmo vale para minha mãe que apesar da falta de dotes culinários, me comprava com muitas balas juquinhas que logo faziam eu esquecer da existência do meu pai).
Mas tá, se eu for contar todas as minhas pequenas aventuras da infância vou precisar de um livro inteiro (e não acho que muitas pessoas estariam interessadas em ler, além dos meus pais, que ficariam terrivelmente ofendidos pela minha visão deturpada de todas as coisas). Mas não é isso que eu vou fazer. Hoje resolvi que vou contar só a pequena parte de quando nasceu minha irmã.
Sim sim, meus pais continuam separados, então, obviamente, minha irmã é apenas meio irmã, mas meu pai odeia esse termo, então ela é "toda-irmã-linda" quando eu falo com meu pai, e "meio-irmã-filha-daquelazinha-lá" quando falo com a minha mãe, simples.
Enfim, eu podia dizer só que foi tudo uma coisa louca de ciúmes, que eu quebrei uns vasos lá em casa e depois meu pai me explicou como ele sempre ia me amar e nós duas iríamos dividir a herança em partes iguaizinhas e todo aquele blablabla e que ficou tudo bem. Mas não foi assim. Nenhuma história em que eu participo é simples assim. A história da minha irmã nascendo se divide em algumas partes (se você já ficou entediado de ler até aqui pode ir lá ver pornografia no redtube que não vai ficar muito mais animado não):
Parte I - gravidez: a mulher do meu pai ficou grávida e meu pai pediu pra eu não contar nada pra minha mãe. Sem muitos sentimentos nessa parte porque minhas energias foram todas direcionadas para guardar o segredo --> foi também quando eu descobri meu talento de mentir, quer dizer, de ser atriz.
Parte II - nascimento: ela nasceu e durante dois anos eu odiava ir pra casa do meu pai e todos os dias sonhava com formas de entrar no quarto dela e esfaquear ela de madrugada e voltar pro meu quarto sem ninguém perceber. Mas como nunca consegui pensar num bom plano me limitava a apertar as bochechas dela com toda a força e fingir que nada tinha acontecido quando ela começava a chorar (NARDONI ME DÁ UM ABRAÇO)
Parte III - o descobrimento: depois de dois anos que minha irmã tava lá vivona minha mãe descobre sua existência CHAN CHAN foi legal que primeiro ela me parabenizou pelo meu fantástico talento para mentir e me colocou no curso de teatro, depois foi meio chato que ela me deixou de castigo pra vida e até hoje acha que to sempre mentindo sobre tudo (o que é bem sensato da parte dela pra dizer a verdade)
Parte IV - a mudança: meu pai mudou de apartamento e eu tive que começar a dividir quarto com minha irmã, uma coisa louca de ódio contido no meu coração primeiro, não por ciúmes do meu pai nem nada, mas porque as coisas dela eram todas muito mais legais que as minhas e agora eu podia ver isso mais de perto, mas depois a gente acabou ficando migs e jogando várias partidas de banco imobiliário de madrugada (enquanto eu estivesse ganhando, é claro)
Parte V - dias atuais: minha irmã chegou em casa ouvindo uma música do restart, matei ela e estou escrevendo esse post diretamente de bangu I enquanto dou ordens pra traficantes do rio de janeiro queimarem carros e õnibus pela cidade.
Ok, mentira essa parte V, eu não fui presa não.
Hum, não tenho mais o que dizer, talvez se eu acrescentar uns coelhos falantes nesse texto posso transformar isso aqui numa fábula e mandar uma moral da história para todos refletirem. Mas não tem moral, eu só não tinha mais o que fazer (além de estudar pras provas finais da faculdade em que eu me encontro) e resolvi compartilhar essa bela história de amor, de aventura e de magia que só tem a ver com que já foi criança um dia com vocês.

domingo, 14 de novembro de 2010

Vou te dar uma idéia, chega ai

Antes de qualquer coisa gostaria de dizer que eu não sou a favor da sinceridade. Não mesmo. Não é todo mundo que tem estrutura emocional pra ouvir certas coisas que você tem a dizer (eu inclusive). A mentira é sempre a saída mais fácil: você não diz o que não quer, a pessoa não ouve o que não quer, todos alimentam suas gastrites com toneladas de segredos incompartilháveis e fica tudo bem, geral feliz, geral na night dividindo um refrigerante com vodka barata.
O problema é que algumas pessoas exigem de você uma sinceridade que não estava no contrato quando a gente veio aqui pra terra, uma sinceridade que você só pode oferecer se você tiver muita certeza do senso de humor e da auto-estima do seu interlocutor, além do quanto você valoriza aquela pessoa na sua vida, claro. Porque assim, se eu fosse distribuir todos os comentários sobre a vida alheia que eu tenho vontade, era adeus vida em sociedade, alô cavernas do tibete ~recebam carolina, sua nova ermitã.
Mas ok, eu não gosto de sinceridade apenas porque eu não sei lidar com a realidade. Em sinceridópolis não haveriam mais comentários sobre o quanto você está gorda e todo aquele mimimi sem um colega concordando por trás do seu ombro mostrando aquela sua celulite que você passou a vida torcendo pra ninguém reparar. Ninguém está preparado psicologicamente pra ver os outros não rindo das suas piadas e cagando enquanto você conta do sushi com o maridão. Sinceridópolis é uma utopia das mentes pequenas que se acham grandes demais para conviver com a falsidade. IMAGINA o que seria das pessoas legais se não houvesse falsidade -> elas não existiriam, apenas isso, mais nada.
Bom, anyways, mesmo eu curtindo essa vibe meio cazuza bregona de quero uma verdade inventada e coisa e tal tem algumas coisas que eu acho que seriam mais fáceis se a gente simplesmente lançasse uns choques de realidade assim como se fosse bala perdida, pra acertar galera que tá distraída achando que tá nessa pra ser feliz.
Por exemplo: Quando você está querendo engatar um relacionamento com alguém rola todo aquele conflito interno de stalkear enquanto play it cool, medir o nível de interesse que você pode demonstrar etc. É um gasto de energia absurdo que nem sempre é recompensado com 40 noites de amor né.
Tá, então, nesses casos que dizem respeito à saúde mental de seres humanos sem ring on it acho que o pessoal podia mergulhar nesse vale da sinceridade de cabeça. Tipos, pra começar: se alguém te manda uma mensagem ou qualquer coisa do tipo e você não tá afim de responder, tá tudo bem, você não precisa responder, mas agora AVISA! manda um "ALÔ ALÔ NÃO VOU TE RESPONDER 1 BEIJO CARINHOSO" que vai poupar toneladas de ATPs gastos em agonia do pobre indivíduo que passa o dia a apertar F5. O mesmo vale para promessas de telefonemas no dia seguinte, elogios sobre a beleza sem fim do coleguinha etc.
Não, eu não faço isso, eu sou mais da linha dos babacas que fazem comentários desnecessários ai pela vida, porque apesar de isso contradizer o que eu disse no início de não curtir gente sincera (comigo) eu não sei explorar todo o meu potencial de falsidade e acabo espalhando verdades (e rancor) por onde passo, porque afinal nenhum número de amigos é tão pequeno que você não possa dar um jeito de diminuí-lo, certo?
Essa foi uma camapanha pela vida no limiar da sinceridade, treinem um pouco e venha ser odiado você também.
mental note: manter uma opinião constante ao longo dos posts

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A cor dessa cidade sou eu (risos)

Hoje estava conversando com uma amiga minha e estávamos tentando imaginar como seria a casa do moço da lanchonete da faculdade quando ela disse algo do tipo "aposto que ele tem aqueles pratos marrons transparentes e copos de requeijão" (...) fui obrigada a avisar pra ela que a MINHA casa está cheia de pratos marrons transparentes e copos de requeijão, copos de nutella com desenhos do bob esponja inclusive e quase quis acrescentar que meu sofá também é ornamentado com almofadas que eu casualmente roubei da primeira classe de um avião (dando um enfoque para o detalhe de que eu nunca viajei de primeira classe em toda a minha vida).
Foi um momento levemente constrangedor, especialmente pelo fato de que a maioria das pessoas na minha faculdade vive com uma renda mensal equivalente ao PIB da etiópia (é o país mais pobre que meu limitado conhecimento geográfico me permitiu pensar) e eu, bem, eu não. Com isso não estou dizendo que eu seja pobre, é claro, só estou dizendo que eu não seria um bom investimento para um sequestro relâmpago por exemplo, e que ninguém se casaria comigo por interesse (ou por qualquer outro motivo, já que estamos nesse assunto).
Mas então, lá estava eu me sentindo um tanto quanto pobre de espírito (o que seria uma coisa boa se eu vivesse em tempos bíblicos) indo pegar um ônibus para voltar para casa (porque como se rainy days and mondays não fossem o suficiente pra me deixar down minha carona resolveu que ia dar uma volta no rio de janeiro depois da aula e não ia poder me deixar em casa) quando, ao passar pelo estacionamento do supermercado em frente ao ponto de ônibus, o faxineiro que varria a rua gritou pra mim "bom serviço", eu juro que tentei ignorar com todas as minhas forças mas ele fez questão de repetir e eu fui obrigada a olhar e perguntar "QUE? VC TÁ FALANDO COMIGO É?" ai ele repetiu mais uma vez e eu, bem resolvida do jeito que sou, respondi "TO INDO PRA CASA ÔU" só sei que depois ele estava perguntando meu nome e dizendo algo sobre fazer novas amizades enquanto eu corria desesperada pra parar de responder o homem tentando fazer sinal pro ônibus que, obviamente, não parou.
Esse foi um daqueles momentos em que eu realmente senti a necessidade de gritar "SOU RYCAH" dentro de uma louis vitton (de outra pessoa, é claro) e lamber a tampinha de alumínio de um iogurte pra me sentir melhor comigo mesma.
Vou pular a parte em que a trocadora do ônibus colocou minha nota de 20 reais contra a luz pra conferir se era verdadeira porque estou exaltando demais meu lado suburbano e quero acreditar que tudo isso foi apenas a consequência de uma pequena falha na escolha de roupas para o dia de hoje (porque mentir para si mesmo é a melhor forma de mentir).
Bom, enfim, vamos passar para a parte menos traumática da minha manhã.
O ônibus, para mim, está empatado com o banho como melhor lugar para se pensar na vida, com a diferença de que no ônibus eu fico um pouco nervosa de que tenha alguém ali dentro com a capacidade de ler pensamentos e veja as coisas horríveis que eu penso sobre todo mundo ao redor (não que eu realmente ache que alguém que consiga ler pensamentos vá andar de ônibus - quanto mais ESSE ônibus).
Mas o que eu mais gosto no ônibus é o baixo percentual de pessoas bonitas que frequenta o mesmo. Ok, isso parece meio estúpido, vou explicar: quando você está num meio em que a maioria das pessoas está acima da média de beleza, se você não compartilhar essa bela genética também, os momentos de deslumbramento com todo aquele contingente de cabelos lisos naturais e arcadas dentárias completas vai logo ser sombreado pela assimilação de que provavelmente todas aquelas pessoas estão fazendo comparações mentais entre os presentes e você está perdendo, uma coisa que não acontece por exemplo num ônibus em que grande parte das pessoas tem cheiro de vestiário de academia e usam malhas pequenas demais para muito corpo e aonde você pode olhar para cada um que passa pela catraca e que está andando pela rua abaixo de sua janela e classificar mentalmente "feio, feio, feio, feio, feio, feio, feio" e observar sua auto-estima que antes estava jogada às traças ir crescendo um pouco durante aquela hora sem ar-condicionado até você chegar no seu condimínio cheio de emergentes da zona sul vestindo roupas de lycra que marcam cada músculo que você nunca vai ter e se despedir da sua amiga auto-estima de novo.
Bom, como eu já perdi o foco do que eu estava falando vou deixar de ser injusta e dizer que eu gosto de viagens de ônibus também pelo fato de que eu posso ouvir música e criar clipes mentais com os cenários que vão passando pela janela e fingir que não ouvi o celular por causa do barulho do ônibus e até ler uns livros pelos quais eu ia receber olhasres de reprovação em qualquer outro lugar (mas isso é claro é só no ônibus do condomínio onde eu posso colocar fones de ouvido sem ter medo de que algum desempregado vendedor de balas de tamarindo vá arrancar minhas orelhas no caminho e aonde tem ar-condicionado porque eu sinto muito calor e não sei ouvir música com meu cérebro fritando).
Então é isso, a moral da história é que todo mundo tem que trabalhar pra poder comprar um carro e ser feliz para sempre ajudando o brasil a ultrapassar o limite de emissão de carbono um dia de cada vez, porque vai que o mundo acaba mesmo em 2012 e a gente ficou esse tempo todo andando de ônibus se preocupando com o aquecimento global à toa né (mas continuem reciclando e tal, whatev)
p.s.: achei que não ia precisar de um título muito a ver com nada já que eu não tive muita coisa pra falar nesse post dai eu to com essa música na cabeça desde que acordei e acho que todo mundo anda esquecendo que daniela mercury existe então tamos ai prestando uma homenagem, arrancando pequenos pedaços de pele do couro cabeludo a cada vez que meu cérebro insiste em repetir o refrão dessa música :)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

observe atentamente o vão entre o trem e a plataforma

Então, sexta-feira já é um dia meio caótico por natureza. Afinal, como não seria meio conturbado um dia em que as pessoas já acordam torcendo para que ele termine? Não que eu esteja pregando o carpe diem para cada outro diazinho ensolarado da semana, mas é que sexta-feira tem toda uma vibe que favorece né. Alcólatras só existem porque sexta-feira existe, QUER DIZER.
Talvez por todo o acúmulo de sentimentos que se concentre exatamente nesse dia meu analista tenha marcado nossas sessões para as noites de sexta-feira, pra eu terminar a semana de uma maneira toda especial (ou não).
Bom, seria ótimo se não fosse pelo fato de que essa aura introspectiva toda também favorece um engarrafamento do caralho (desculpa vó) pra chegar em qualquer lugar do rio de janeiro ou de qualquer outra cidade com mais de 10 milhões de habitantes ao redor do mundo nesse período lindo que dura tipos umas cinco horas mas que é chamado carinhosamente de "HORA" do rush. Hoje particularmente alguma nuvem negra se instalou sobre a cidade maravilhosa que nem a mulher do programa de rádio que eu normalmente ouço às sextas de 5 as 7 da noite (não vou dizer qual o programa porque não sou paga pra isso) conseguia chegar no estúdio pra gravar por causa do engarrafamento.
Mas tá, eu não quero nem falar de engarrafamento, só falei disso porque queria explicar o porque de eu pegar o metrô pra ir pra minha sessão de análise, e para o metrô que vai o holofote agora.
São umas 5 estações da minha casa até o analista ~ 5 estações que poderiam figurar o livro dos recordes em coisas estranhas ~ mas tá.
Eu não vou generalizar minhas viagens de metrô porque elas nunca são parecidas umas com as outras, sempre tem algo característico que merece ser registrado e comentado posteriormente mas que eu sempre esqueço de fazê-lo. Pois então, hoje eu lembrei.
Hoje eu acabei pegando o carro das mulheres, porque o metrô estava tão absurdamente cheio que quando eu ousei colocar o pé em um vagão uma moça delicadinha, de mais ou menos uns 4 metros e meio de altura, me olhou como se fosse fazer eu mergulhar no vão entre o trem e a plataforma pra eu morrer destroçada em mil pedacinhos caso eu respirasse o ar próximo à ela, o que fez eu sair correndo e entrar no vagão mais vazio que encontrei que, coincidentemente, era o vagão das mulheres.
Eu preciso fazer um adendo aqui de que eu NUNCA uso o vagão das mulheres, não apenas porque o cheiro de kolene (ou qualquer outro condicionador pra cabelo ruim de sua preferência) me irrita profundamente mas porque desde que eu li uma crônica do Lúcio Mauro Filho em que ele contava que tinha conhecido e se apaixonado pela mulher com a qual ele está casado atualmente numa viagem de metrô eu sempre entro no metrô com a expectativa de que um conto de fadas da baixada desse tipo aconteça comigo também (não na hora do rush claro) algo que vem me deixando cada vez mais frustrada já que as únicas pessoas que fazem contato visual comigo no metrô são aquelas com potencial de me transformar em Elisa Samúdio (desculpa elisa mas não sei como escreve seu nome e não vou colocar no google pq né, não vale a pena).
Bom, então hoje no vagão das mulheres foi uma experiência à parte e eu dei estrelinhas mentais pra diversos frames dignos de nota pra escolher os mais inúteis e sem sentido pra compartilhar aqui e não acrescentar nada na vida de ninguém:
Logo que eu entrei tinha uma mulher sentada no chão. Primeiro achei que era uma criança, depois achei que ela tava passando mal e cheguei pra longe com medo dela vomitar no meu sapato, mas acabou que ela era só esquisita mesmo, e possivelmente anã, mas não tenho certeza (aliás, ou toda a população anã do planeta curte frequentar metrô nas mesmas horas que eu, ou eu ando classificando pessoas que são só feias e baixas demais como anãs por todos os cantos).
Como eu estava em um ambiente todo novo, eu precisava de uma forma para classificar aquelas pessoas que iam dividir o vagão comigo pelas próximas estações, resolvi segregar pelo cabelo. Gente com cabelo bom (ou pelo menos com cabelo que não parecia ter sido cortado pelo edward mãos de tesoura e alisado na chapa de fazer pão com manteiga na padaria) ficava do lado direito, gente com o cabelo citado entre parênteses do lado esquerdo. Essa logística tem uma explicação: Pra quem conhece as linhas de metrô do rio de janeiro sabe que agora eles inventaram um metrô que vai de ipanema até sei lá onde e outro que vai de botafogo até a pavuna, quem pega o metrô por exemplo em copacabana e quer ir pra pavuna tem que descer em botafogo e esperar o metrô verde chegar > essas são as pessoas do lado esquerdo do metrô. Minha conclusão foi: gente com cabelo ruim desce em botafogo pelo lado esquerdo.
Outro adendo que preciso fazer é que entrou um homem no carro de mulheres, o que foi meio esquisito primeiro porque, bom, o objetivo todo do carro das mulheres é evitar que homens tarados se aproveitem da situação de gente esmagada pra vocês sabem o que né, depois porque dai uma mulher na minha frente começou a falar com ele e eu quero muito imaginar que ela ficou chamando ele de tarado porque eles começaram uma troca de palavras bem ríspidas e assim que a porta abriu o cara saiu do trem e mudou de vagão, mas eu nunca saberei porque eu estava com o ipod no ouvido e a única conversa que eu ouvi entre eles foi a que eu inventei na minha cabeça.
Bom, enfim, depois de estar confortável com os parâmetros que estabeleci pras pessoas ao meu redor eu reparei que estava perto de uma das pessoas que mais se aproxima de uma caricatura que eu já vi na vida. Eu diria que ela era uma espécie de hippie/feminista/desempregada com um cabelo que não se encaixava em nenhuma das minhas classificações, mas que poderia ser descrito apenas com a palavra "frizz", com muitas bolsas e mochilas penduradas no corpo, vários colares de concha, uma calça com a barra dobrada pra ficar bem linda pescando siri (estranhamente combinando com um all-star que parecia novo) e, obviamente, sem sutiã (ela provavelmente tinha passado em alguma praça pública e queimado todos os seus antes de ir dar uma volta de metrô TUM TUM TSS). Mas o mais esquisito é que ela estava com um bloquinho na mão e não parou de escrever um segundo desde que eu entrei no trem até ela sair uma estação antes de mim. Eu fiquei achando que era alguma espécie de diário e toda vez que eu lançava um olhar pra tentar ver o que ela estava escrevendo ela me encarava e depois voltava e escrevia alguma coisa. Queria saber se ela escreveu que eu estava usando um brinco diferente do outro, ou se ela me colocou em alguma categoria de cabelo, coisas desse tipo, mas dai ela foi embora com o bloquinho e são grandes as chances de eu nunca mais ver essa pessoa de novo na vida e nunca saberei o que estava no bloquinho.
Certo, eu não tenho nenhuma moral de história, e isso aqui nem vai ter um desfecho interessante. Eu acho que até tinha pensado em algo digno de ser escrito enquanto estava de fato no metrô mas dai eu fui pra análise e foram muitos choques de realidade pra eu conseguir sair do estado Marlon Brando pra lembrar qualquer coisa útil pra escrever. Esse post foi mais pra deixar a dica pra alguém vir fazer comigo o musical da cinderella do metrô e fazer um approach naqueles banquinhos brancos cheios de bolinhas dos carros novos do metrô muito românticos e começar um bad romance pra um dia eu poder dizer que valeu a pena fazer análise as sextas-feiras e talvez nessa época alguém ache legal que eu escreva uma crônica pra algum jornal que ninguém lê pra contar essa historia de amor (que nunca vai acontecer) e encorajar um monte de garotas de todo o brasil a se iludir achando que vão encontrar um marido no metrô/ônibus/outros meios de transporte coletivo OLHA QUE VIBE.
p.s.: gente não me culpa se isso não fez sentido que meu analista falou que eu tenho que falar sem pensar e falar o que eu quiser que é assim que eu descubro os nuances dos meus pensamentos OLHA QUE LOKO, então é isso beijos

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

É preciso amar as pessoas como se elas não fossem filhas da puta

Olha eu to aqui hoje porque preciso esclarecer uma coisa que está entalada na minha garganta há algum tempo e eu nunca sei as palavras certas pra falar isso sem parecer extremamente babaca e escrota e eu morro de medo de gente que me conhece ler essas desgraças que eu escrevo na internet e me odiar mais do que meu potencial exige na vida real, mas enfim TO BOTANDO A BOCA NO MUNDO isso precisa ser dito e eu vou levar uma pelo time O TIME DA VERDADE (???).
É o seguinte, principalmente no universo feminino rola uma coisa meio louca de que pra você ser amiga de alguém você precisa ser completamente sincera, você tem que compartilhar cada detalhe da sua vida com aquele ser humano, você não pode odiar ninguém que aquela pessoa gosta por mais insuportavelmente chata que a pessoa seja e o mais importante, você não pode falar mal de ninguém (muito menos dela). Mas aqui vai uma novidade pra vocês meninas: TODO MUNDO FALA MAL DE TODO MUNDO. Pois é, chocante, eu sei, mas é verdade. Até mesmo aquela sua amiga pastora da sinceridade que quando vê você falando mal de alguém já vem logo dizendo "QUERO MORRER TUA AMIGA HEIN" ou "NÃO QUERO OUVIR VOCÊ FALANDO MAL DE FULANINHA PORQUE ELA É MINHA AMIGA E EU NÃO FALO MAL DE AMIGA" ou até mesmo "GENTE, SE VOCÊ FALA ASSIM DE FULANINHO DE TAL IMAGINA O QUE NÃO FALA DE MIM PELAS COSTAS" e outras frases de efeito que você pode encontrar em qualquer manual da boa amiga sincera na livraria mais próxima da sua casa. Mas então, ATÉ ESSA amiga sente impulsos elétricos incontroláveis pra fazer comentários ante a sandália gladiadora de uma professora que se veste esquisito ATÉ ELA ri convulsivamente por dentro quando ouve você comentando que um desafeto dela caiu da escada e rolou pela rampa na frente da faculdade inteira. TÁ NO NOSSO SANGUE GENTE NÃO DÁ PRA EVITAR, É TIPOS CIÊNCIA.
Ok pode parecer só mais um traço bitch da minha personalidade, deve até ser mesmo mas eu realmente li uma vez que a fofoca é uma parada que sobreviveu à evolução, que tipos o pessoal das pedras que fazia fofoca prevaleceu sobre o que se achava bom demais pra isso no meio da seleção natural, simplesmente porque fazer fofoca, por pior que o termo possa ressoar ao ouvido dos mais pudicos, une mais as pessoas, e eu não li isso tipos na caras não, foi em uma revista meio que científica até, daquelas mente&cérebro (pelo menos é uma das revistas mais sérias que eu leio, então me sinto obrigada a acreditar em quase tudo), dai dizia ainda que as pessoas se sentiam meio que fazendo parte de um grupo de uma unidade quando se uniam pra falar mal de uma outra pessoa e isso as favoreceu, as tornou mais fortes e coisa e tal. O QUE FAZ TOTALMENTE SENTIDO porque reflitam comigo sobre a seguinte situação: Fulaninha de tal é muito amiga de ciclaninha e de beltraninha, mas ciclaninha e beltraninha não gostam uma da outra porque tem ciúmes de fulaninha de tal, só que ai um dia fulaninha de tal vai lá e pega o namorado de ciclaninha que fica muito chateada, ao mesmo tempo beltraninha também está muito chateada com fulaninha de tal porque ela só dá atenção pro namorado novo e deixou ela de lado. O QUE ACONTECE?? ciclaninha e beltraninha que antes se odiavam se unem pra falar mal de fulaninha de tal É O PONTO EM COMUM ENTRE ELAS, É O ELO e constroem a partir dai uma linda amizade (sem fulaninha de tal que agora não tem mais nada a ver com elas porque por motivos óbvios não pode participar das fofocas). E VOCÊS ACHANDO QUE FOFOCA ERA UMA COISA RUIM NÉ? FOFOCA CRIA AMIZADES, SELA CASAMENTOS, CONSOLIDA UNIÕES É LINDO, além de todas as endorfinas e hormônios do bem que rolam enquanto você está ouvido um baphão sensacional né.
Não me entendam mal, com fofocas eu não quero dizer INVENTAR COISAS a respeito de outras pessoas, porque isso sim é uma tremenda filhadaputagem e se você acha que vai fazer migs assim sinto muito por te desapontar, mas quero dizer a pura e simples troca de informções, ou melhor, o livre fluxo de ideias e opiniões a respeito de uma terceira, ou quarta, ou quinta pessoa. Isso é simplesmente saudável.
Tudo bem, agora vão me chamar de maluca por estar me justificando por um comportamento socialmente inaceitável CAGUEI PROCÊS porque eu to aqui pela liberdade de expressão (e pelos homi bunito), vão lá todos dar uma meia hora de bunda pra ver se deixam um pouco a hipocrisia de lado e admitem que falam mal de geralzão também e que não tem nada de errado nisso.
Certo, eu não falo mal de GERALZÃO porque isso é um conceito muito amplo e tem muita gente que eu realmente gosto e que não vejo motivo nem necessidade de falar mal e também muita gente que eu até tenho motivo para falar mal mas que eu gosto o suficiente pra não falar mal de forma que essa pessoa sinta em algum nível de subconsciência que eu estou fazendo esse sacrifício e também não fale mal de mim (porque realmente minha boa fé vai muito impedir a língua alheia né, enfim), mas existe esse pequeno problema de todo mundo ser tão chato. Sim. Eu sou chata, você é chato, sua mãe, seu pai, seu namorado oxigênio, até o Marcelo Adnet que é tão lindo, engraçado e inteligente deve ser chato (e eu nem to forçando a barra). TODO MUNDO É MUITO CHATO. Mas na maioria das vezes a gente escolhe não ver isso, ou então a gente acha aquela pessoa tão linda, engraçada e inteligente (Marcelo Adnet SEU LINDO) que nem percebe as sutis chatices que compõem a personalidade daquela pessoa. Porém, se você convive com alguém por tempo o suficiente alguma dessas coisas que antes você antes não prestava atenção inevitavelmente vão te irritar É A LEI NATURAL DA VIDA. E ai é extremamente necessário que você use essa válvula de escape que é falar mal dos outros para poder continuar convivendo pacificamente com aquela pessoa que você tanto gosta (ou que você precisa aturar, porque né).
Todo mundo tem uma mania esquisita, fala uma coisa nada a ver, se veste de um jeito engraçado algum dia, fica com alguém muito feio no outro, todo mundo dá motivos pra você comentar, você só precisa escolher fazer isso de uma maneira saudável ou não. MANEIRA SAUDÁVEL (minha maneira): fazer piadocas exaustivamente sobre aquele tópico até se tornar sem graça ou outra pessoa fazer uma coisa mais ridícula com a qual você possa fazer piadocas, sem influenciar mentes pequenas caso você não goste da pessoa em questão (ou influenciando, caso aquela pessoa tenha sido bitch com você, porque ninguém é de ferro né) e sem deixar a pessoa perceber olhares pejorativos e risinhos descontrolados em sua direção DICA: invente apelidos. MANEIRA NÃO SAUDÁVEL: olhar de cima a baixo quando a pessoa passa, encarar a mesma e virar para o lado para fazer comentários, fazer todo mundo odiar aquela pessoa porque ela fez algo que você não gostou, contar coisas que foram engraçadas num tom sério só pra pessoa parecer ainda mais ridícula entre outros, essas são as chamadas fofocas corrosivas normalmente feitas por pessoas que se acham melhores do que realmente são e coisa e tal DICA: não se misture com esse tipo de gente, primeiro porque elas não são engraçadas, o que faz delas muito mais chatas que o normal, depois porque dai você vai parecer muito mais bitch do que a cota reservada para cada ser humano.
Ah sim, porque eu acho que cada pessoa devia ter uma cota para o quanto pode ser bitch dai se você passar dessa cota sim as pessoas podem começar a se afastar de você alegando que você é uma pessoa horrível e que não sabe ser amiga de ninguém sem ser falsa.
Então é isso gente, ninguém é completamente sincero, ninguém é completamente falso, todo mundo fala mal de todo mundo pelas costas, provavelmente todas as suas amigas já fizeram algum comentário meio bitch sobre você (e sobre mim) e é melhor você aprender a conviver com isso se quiser ter alguma madrinha no seu casamento.
P.S.: MIGS QUE ME CONHECEM E QUE POR VENTURA VENHAM LER ESSE POST: EU AMO VOCÊS, SÓ FALO MAL DE GENTE FEIA E MELEQUENTA (só falo mal de gente linda e glamourosa que trabalha em hollywood porque dai é inveja, não conta) E SÓ SOU AMIGA DE GENTE LINDA E SE EU JÁ FALEI MAL DE VOCÊ VOCÊ PROVAVELMENTE VAI SABER PORQUE EU NÃO SOU NADA DISCRETA E OLHO COM CARA DE CU PRAS PESSOAS QUE EU NÃO GOSTO (e gente que a gente não gosta todo mundo sabe que rola um livre-arbítrio incondicional pra falar mal né?) ENTÃO É ISSO UM BEIJO, NÃO ME ODEIEM.
P.S.2.: kibei o título de post de um tweet que eu não lembro de quem era to nem ai

quarta-feira, 21 de julho de 2010

vegetarianismo é como o Ipad, parece uma boa idéia no começo, mas você vai acabar sentindo falta de ler um livro de verdade

Eu ia fazer uma pequena introdução falando das incontáveis coisas que eu acho babaca no mundo mas, como vegetarianismo é um tópico que rende uma discussão interna muito extensa em mim, acho melhor ir direto ao assunto pra não ficar uma coisa tão paunocu quanto o próprio tema em si.
Você pode ser vegetariano por dois motivos primários:
(1) Porque você quer emagrecer. O que é um motivo aceitável, porque cada um tem sua idéia do que é fazer dieta e tal, ou seria, se as pessoas admitissem essa razão. Dou um beijo em quem me apresentar um vegetariano que admita que parou de comer carne porque queria emagrecer.
(2) Porque você quer ser cool. Algum dia um babaca foi lá e disse: "Eu vou parar de comer carne porque o ser humano nasceu pra comer folhas já que a gente tem muito mais dentes molares que caninos e porque, obviamente, assim vamos salvar o mundo. BABACAS DE TODO O PLANETA, UNI-VOS!" dai você achou esse cara muito sábio, achou o discurso muito bonito e resolveu mostrar que é uma pessoa consciente e engajada. O que é algo absolutamente inaceitável na minha opinião porque não venha me dizer que as vacas soltam metano demais e agravam o aquecimento global que eu e você sabemos que não é parando de comer carne que as vacas vão peidar menos. Ou você acha mesmo que a galera lá da pecuária tá muito triste porque você, ó ser humano iluminado, parou de comer carne e POR ISSO vai soltar uma vaca na selva para cada novo vegetariano que surgir no mundo? GENTE olha, se você não tá comendo as vacas que são suas por direito sempre vai existir alguém que vai comê-las por você, afinal, o rodízio do Porcão custa tipos uns 80 reais e eu nunca vi aquilo ali vazio.
Além disso, pensem comigo, a vaca e o frango foi um dos desenhos mais hits da minha infância e eles comiam o que eu tenho quase certeza que eram bundas de seres humanos ao invés de frangos de padaria (por motivos óbvios), dai vocês acham que se um dia as vacas e os frangos dominassem o mundo não ia rolar um churrasco de humanos com as coxas bem torneadas de um jogador de futebol servidas com farofa e molho à campanha? Não se iludam que eu tenho certeza que na primeira oportunidade que eles tiverem eles transformam a gente em nugget. As vacas e os frangos tão cagando pro aquecimento global mas dai se você quer mesmo salvar o mundo porque não vai lá recolher lixo do oceano que isso sim é uma merda? porque não vai ajudar a limpar a lagoa? defender as baleias? convencer o obama a distribuir energia solar para o mundo inteiro de graça e parar de sugar todo o petróleo do planeta? Agora, dizer que parou de comer carne pra fazer sua parte pelo mundo ajuda tanto quanto comprar lixeiras coloridas e depois juntar todo o lixo num saco só, quer dizer
Existem também motivos que eu considero secundários para uma pessoa se tornar vegetariana:
(3) Porque você não gosta de carne. Por mais difícil que seja entender como pode existir alguém que não goste de carne eu consigo acreditar que isso seja verdade já que eu mesma não gosto de peixe nem de nada que vem do mar for that matter e tenho que aguentar os olhares incrédulos das pessoas sempre que falo isso como se eu tivesse dizendo que nasci em outro planeta e kriptonita me deixa fraca, por isso consigo aceitar quando alguém diz que não come carne porque simplesmente não gosta (apesar de meu cérebro achar isso um ultraje ante os repetidos estimulos que ele envia às minhas glândulas salivares só de pensar em uma picanha).
(4) Porque você tem pena/acha errado/acha chato a forma como eles matam os animais pra eles chegarem na nossa mesa e coisa e tal. Pois é, eu também acho horrível, não sou uma pessoa completamente insensível, consigo entender que tenham várias coisas erradas nesse processo todo. E tipos se colocarem um carneiro inteiro na churrasqueira e me oferecerem um pedaço eu vou achar meio difícil comer aquilo olhando pros olhos tristes do bicho ali do lado. Agora, se o negócio vem ali embalado, pronto pra ser jogado na panela e devorado eu sou mais a favor da teoria "o que os olhos não vêem o coração não sente". Isso faz de mim uma pessoa horrivel e sem valores morais? Talvez, mas vou deixar vocês com a realidade que se nosso amigo homem das cavernas tivesse ficado com peninha de matar os bichinhos e comesse apenas folhinhas e cenourinhas é bem provável que darwin tivesse escolhido outro bicho mais esperto e carnívoro pra ser o dono desse mundo aqui, então né, no mínimo é preciso reconhecer que comer carne foi uma das coisas mais inteligentes que o homem fez depois da tv digital, porque né.
Ok, mas se depois de poderar todas essas questões você ainda assim escolheu que não vale a pena viver compactuando com esses assassinatos, que deus disse "não matarás" e não especificou que isso só valia pros seres humanos, que os bichos tem sentimentos e todo aquele papo biodesagradável tá tudo bem. Você não precisa ser um ser humano menos completo por causa disso, realmente existem outros prazeres alimentares, existe vida após o vegetarianismo, eu até curto essa coisa toda de soja e beringelas recheadas e tudo o mais, sei que pode não ser tão ruim apesar de tudo o que eu acabei de falar. Agora, o que absolutamente foge da minha capacidade de compreensão são os vegans, aquelas pessoas que não satisfeitas em apenas não comer carne também não comem nada derivado de animais. Tipos como essa pessoa vive sem comer QUEIJO meu deus?? e chocolate?? e pizza?? e sorvete?? e pizza de chocolate com sorvete?? Sério, dá mesmo pra uma pessoa ser feliz assim? Certo, você provavelmente vai ser magralinda e ter um intestino que funciona melhor do que o de toda a comunidade activia junta, mas realmente vale a pena trocar dezenas de delírios gustativos por alguns movimentos peristálticos a mais?
Eu só queria mesmo entender a lógica por trás disso tudo. Esse ser humano de luz acha mesmo que eles vão parar de tirar leite da vaca porque ele resolveu que isso é errado? Eu sou bem mais a favor que esse senhor ser humano consciente vá lá e recicle todas as caixinhas de leite do supermercado, ou que passe calor no verão e fique sem ligar o ar condicionado, ou que tome um banho rápido pra economizar água e até quem sabe compre uma fazenda e deixe as vacas serem felizes e inúteis como nós que não servimos de alimento pra ninguém.
Enfim, isso é só um exemplo de como eu posso ser babaca a respeito das coisas que eu acho babaca, ninguém precisa me dizer isso caso não concorde com nenhuma das besteiras que eu escrevi. E olha, eu tenho amigos vegetarianos, ninguém precisa chamar a sociedade protetora dos vegetarianos pra me prender porque eu juro que eu não tenho nada contra, é só uma daquelas coisas que eu não quero pra mim, tipo aids, nada contra quem tem, só ia achar meio chato se eu tivesse, ou se um filho meu tivesse, fora isso podem continuar não comendo carne que sobra mais bacon pra mim, whatever.

domingo, 4 de julho de 2010

I can(not) ride my bike with no handlebars

férias desperta um sentimento de que você precisa fazer alguma coisa pra mudar o que está errado na sua vida. Aquela semana fatídica que precede o período das férias funciona quase como uma véspera de ano novo em que você faz um tanto de promessas que você sabe que não vai cumprir, mas faz assim mesmo porque isso pelo menos faz com que sua consciência fique mais leve, mesmo que isso não aconteça com seu corpo também. Ah sim, claro, porque pra mim tanto as resoluções de ano novo como as de férias estão relacionadas àquela velha história de "NÃO, VOCÊS VÃO VER, EU VOU PRA ACADEMIA TODO DIA E NÃO VOU COMER MAIS DE 500 CALORIAS POR DIA, VOU EMAGRECER HORRORES VAI SER ÓTIMO, NINGUÉM VAI NEM ME RECONHECER" e tamos ae.
Juro que nem consigo imaginar o que as outras pessoas prometem nessas ocasiões porque eu faço essa mesma promessa desde que eu tinha sei lá 12 anos e meu pediatra me traumatizou dizendo que eu era uma baleia assim numa vibe choque de realidade mesmo, porque aos 12 anos eu me achava a coisa mais linda do mundo e olha, não era bem assim, mas não era bem assim MESMO. Todo mundo teve aquela fase pré-adolescente em que pelo menos por um dia você foi a pessoa mais feia a andar sobre a face da terra, até outro pré-adolescente tomar seu lugar, fase essa que eu, infelizmente, sou obrigada a lembrar todos os dias em que entro na casa da minha avó e vejo aquela pessoa gracinha que eu era povoando todos os corredores toda linda ampliada e emoldurada, como se já não fosse ruim o suficiente as pessoas me conhecerem nos dias atuais né, e olha eu me acho ruim hoje, mas eu tenho CERTEZA que daqui a uns anos eu vou olhar pras minhas fotos de hoje (também ampliadas e emolduradas nas paredes da casa da minha avó) e falar "NOSSA, COMO EU TINHA CORAGEM DE SAIR DE CASA ASSIM?", mas tá.
Bom então, nessas férias eu entrei nessa mesma vibe de sempre e disse "É ISSO, É AGORA, VAMOS TOMAR UMA ATITUDE" e ai resolvi que ia ser uma ótima idéia fazer uma coisa que as pessoas vêm fazendo desde que jesus ainda tava vivão e que parecia muito simples: ANDAR DE BICICLETA.
Pois é, andar de bicileta parece lindo mesmo. Você vê os pais ensinando seus filhos pequenininhos andando de bicileta, tirando as rodinhas, parece uma super conquista, uma coisa linda. Eu aprendi a andar bem tarde com uns 9 ou 10 anos, com minha prima me ensinando na garagem do prédio e com muitas cicatrizes pra mostrar, mas me sinto meio que orgulhosa por saber fazer alguma coisa assim (quer dizer eu não sei muito bem, mas sei e isso que importa) porque até hoje sempre que chamo alguém pra andar de bicicleta comigo tenho que ver aquela pessoa com os olhos tristes me dizendo "pois então, eu não sei andar de bicicleta" e ai eu fico toda "yay, essa pessoa pode ser a chefe executiva da puta que pariu mas eu sei andar de bicicleta e ela não uhul HOW ABOUT A ROUND OF APPLAUSE EVERYONE?"
Mas enfim, parece bem legal mesmo, principalmente quando você está andando a pé na lagoa e vê a galera tocando aquela sinetinha pra te ultrapassar, com o vento batendo no cabelo e o ipod no ouvido HAVING THE TIME OF THEIR LIVES e ainda emagrecendo e ai fala PRONTO TAÍ, ESSE VAI SER MEU NOVO MÉTODO!
Bom, então, ai vai uma dica: não ande de bicicleta se achando a rainha sobre rodas caso você tenha pago três meses de academia e não conheça nem o interior da mesma AKA se você for a representante da preguiça na terra AKA se você for como eu. Primeiro porque não é tão lindo assim, essa coisa do vento batendo na cara das pessoas disfarça o fato de elas estarem suando como porcas loucas e você só percebe isso quando é você que está suando como uma porca louca sob esse sol do bem do rio de janeiro (porque eles não alugam bicicleta depois das 6 horas e eu não tenho bicileta então é no sol mesmo que eu tenho que andar) e todo mundo olha pra você como se perguntasse se você está precisando de uma ambulância (pincipalmente pra mim que sou um pouco branca assim de leve e fico um pouco vermelha também assim de leve quando faço exercício).
O negócio do ipod também é uma ilusão, porque até faz um clipe legal você andando e ouvindo aquela música foda que combina com o cenário e tudo o mais, mas o shuffle é um filho da puta e sempre coloca pra tocar tipos renato russo naquela subida quando deveria estar tocando la roux e eu não tenho coordenação motora pra trocar de música enquanto estou pedalando sem cair da bicicleta lindamente e parar no cantinho da pista além de deixar os amiguinhos que vem atrás de você meio chateados também acaba com todo o seu ritmo frenético de adrenalina e endorfinas (que ritmo frenético?)
Depois que eu não sei como é aonde vocês ai moram, mas a lagoa é uma coisa louca de ladeiras e descidas e buracos e rampas e pessoas e árvores pra você desviar que não é de deus. Na boa, aquela coisa do spinning que a moça nazista que fica só sentada na bicicleta enquanto você tá morrendo ao som de I gotta feeling que manda você simular uma subida e que parece dificil pra cacete e você tem vontade de mandar ela fazer algo anatomicamente impossível com a garrafinha d'água NÃO É NADA comparado a uma subida de verdade onde TODO MUNDO que está passando pode ver que você não está conseguindo subir e está quase descendo da bicicleta e empurrando a bicha até chegar na descida de novo onde você não precisa mais pedalar como se tivesse um elefante nas suas coxas. E, pra melhorar tudo, não sei se é o meu super preparo físico ou se isso acontece com todo mundo, mas depois de dois dias de ir lá andar de bicicleta eu to com uma dor num lugar da bunda que eu nem sabia que existia e que não sei nem explicar onde é, e é uma dor louca que faz você andar meio como se estivesse assada e que é uma coisa meio constrangedora (principalmente pelo fato de que passar hipogloss nesse caso não adianta em nada, acredite, eu tentei).
E sabe o que é pior? sempre que eu começo nessa vibe de fazer exercício e ser saudável e coisa e tal eu acho que porque estou queimando altas calorias tenho o direito de consumir o dobro do que o normal ou então comprando mil gordelícias no mundo verde e me achando super light só porque a loja é verde e tal (meu cérebro sempre trabalhando super a meu favor) e ai acabo engordando e voltando das férias o oposto do que eu queria e cada vez mais distante daquela calça de 2007 que eu guardo até hoje na esperança de né, quem sabe um dia...
Bom, então tamos ae agora nessa esperança de que algum dia NUM FUTURO PRÓXIMO alguma alma boa vai me dar umas coisas lindas que parecem ser esses moderadores de apetite e eu vou, finalmente, poder me concentrar apenas nos meus problemas psicológicos, porque isso ai já é outra história e acho que nem perdendo uma tonelada em uma semana vamos resolver assim tranquilinho né ppl? não que eu tenha muitos problemas, eu acho que eu sou uma pessoa super bem ajustada, só queria ver se no reveillon de 2010/2011 a minha resolução possa ser sei lá, OLHA COMO EU NÃO CONSIGO NEM PENSAR EM NADA, alguma coisa diferente da de sempre e ficar linda pra 2012 porque vai ter todo aquele evento do fim do mundo e coisa e tal e eu quero conhecer JC bem gatinha porque ele parece ser um sucesso ai pelo que eu ouço dizer da época que ele tava por aqui.